sábado, maio 21

wings



Estou a beira de um precipício, onde tudo o que me define é um passo e eu não sei para onde dar esse passo, não sei se ando para a frente ou se ando para o futuro, descobrindo o que guardará lá em baixo, pondo-me assim em prova, tentada a descobrir se tenho asas ou se dou um passo para trás com medo de que o meu destino seja cair interminavelmente. Encontrando talvez o que  mais me assusta lá em baixo, o medo. Sim, eu tenho medo do medo, tenho medo de um sorriso falso e do abandono, morro de medo do abandono, eu tenho muitos medos e tenho pouca coragem para os dizer.
Não tenho asas mas, porque darei algo a alguém que eu não sei se valerá a pena? Porquê entregar-me a algo que só pode devolver uma cicatriz, uma feia e dolorosa cicatriz? Dizem que se arriscar valerá a pena, mas as pessoas que falam disto não sabem como é, se não der certo, "mas tu tens força para tentar?" pois, eu não tenho muitas mais, por isso penso, em cada passo procuro, outros caminhos, outros precipícios, outros rostos, mas  volto sempre ao mesmo ponto, o meu caminho já está trassado,  não tenho ruas com meu nome, mas todas elas levam-me ao mesmo lugar, e não,  não é a Roma, é um lugar doloroso e sem cor.
Eu quero cor, alegria, quero um sorriso direccionado a mim, só a mim, quero poder retribuir esse sorriso com sinceridade. Eu quero ter asas, eu quero ter coragem para poder provar que vou voar mas, não tenho e isso doí, porque uma vez eu tive, eu tive um brilho e tive asas mas, arrancaram-me pena por pena e agora nada mais restou de mim...

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